Remédio de diabetes aumenta perigo para o coração 29/06/2010
Duas pesquisas divulgadas ontem confirmam que o medicamento Avandia eleva risco de infarto e de insuficiência cardíaca
IARA BIDERMAN COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Dois estudos trazem novas e fortes evidências sobre os riscos cardíacos associados ao uso de Avandia, um remédio bastante popular no tratamento do diabetes. A segurança do medicamento, aprovado em 1999 pela FDA (agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA), é questionada desde 2007, quando foi publicada a primeira grande pesquisa mostrando que o Avandia aumentava o risco de infarto e insuficiência cardíaca. Em fevereiro de 2010, a FDA afirmou estar revisando os dados para submetê-los a um painel de conselheiros, marcado para julho. Os estudos publicados ontem nas versões online do Jama ("Journal of American Medical Association") e do "Archives of Internal Medicine", antes da reunião da FDA, esquentam o debate. A Glaxo Smith Kline, fabricante do remédio, afirma que outros trabalhos mostram que a droga é segura. Não é essa a conclusão do coordenador da pesquisa divulgada no Jama, David Graham. Ele é pesquisador do Centro de Avaliação e Pesquisa de Drogas da FDA. Graham e sua equipe avaliaram dados de 227.500 pacientes americanos. A análise mostrou que os pacientes medicados com rosiglitazona (princípio ativo do Avandia) tinham maior risco de sofrer infarto, insuficiência cardíaca e de morte por todas as causas do que os que tomaram pioglitazona (Actos), outra droga para diabetes da mesma classe. Para Marcio Mancini, endocrinologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, a questão, agora, é saber se esses dados serão usados para reforçar alertas sobre o risco e os cuidados na prescrição ou se é o caso de suspender totalmente o uso do remédio. "Com dados mais fracos do que esses [sobre o Avandia], a União Europeia suspendeu a comercialização de sibutramina [usado para obesidade]", diz Mancini. O outro trabalho divulgado ontem é de Steven Nissen, da Clínica Cleveland, de Ohio (EUA). Nissen é o autor do estudo que, em 2007, questionou seriamente a segurança do Avandia e ajudou a tirar-lhe o título de o mais vendido no mundo para diabetes.
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